Acerca de

Brothers Johnson1.jpg

Funk

História do Funk

O Funk é um gênero musical que se originou em comunidades afro-americanas em meados da década de 1960, quando músicos afro-americanos criaram uma nova forma de música rítmica e dançante através da mistura de Soul, Jazz e Rhythm and Blues. O Funk tira a ênfase da melodia e da harmonia e traz um groove rítmico forte de baixo elétrico e bateria no fundo. Como grande parte da música de inspiração africana, o funk normalmente consiste em um groove complexo com instrumentos rítmicos tocando grooves interligados. Funk usa os mesmos acordes estendidos ricamente coloridos encontrados no bebop, um subgênero do Jazz.

Com seu conceito desenvolvido por James Brown na década de 1960, com o desenvolvimento de um groove de assinatura que enfatiza o downbeat, considerado o padrinho do Funk, James Brown deu o nome de "The One" (ou seja, o apoio rítmico no primeiro tempo) e a aplicação de semicolcheias e síncope em todas as linhas de baixo, padrões de bateria e riffs de guitarra - e os músicos influenciados pelo Rock e a Psicodelia como Sly And The Family Stone e Jimi Hendrix, promovendo a improvisação no Funk. Outros grupos musicais, incluindo Kool & The Gang, B.T. Express, Fatback Band, Slave e Ohio Players, começaram a adotar e desenvolver as inovações de Brown durante a década de 1970, enquanto outros como o Parliament-Funkadelic seguiram o caminho de Hendrix.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto grande parte da história escrita do Funk se concentra nos homens, houveram notáveis mulheres de Funk, incluindo Chaka Khan, Labelle, Lyn Collins, Brides Of Funkenstein, Klymaxx, Mother's Finest e Betty Davis.

O Funk pode ser melhor reconhecido por seu ritmo de batidas repetitivas sincopado, pelos vocais de alguns de seus cantores e grupos (como Cameo ou Bar-Kays). E ainda pela forte e rítmica seção de metais, pela percussão marcante e ritmo dançante. Nos anos 1970, o Funk foi influência para músicos de Jazz (como exemplos, as músicas de Miles Davis, Herbie Hancock, George Duke, Eddie Harris, entre outros).

Os músicos negros norte-americanos primeiramente chamavam de Funk a música com um ritmo mais suave. Esta forma inicial de música estabeleceu o padrão para músicos posteriores: uma música com um ritmo mais lento, sexy, solto, orientado para frases musicais repetitivas (riffs) e, principalmente, dançante. Funk era um adjetivo típico da língua inglesa para descrever estas qualidades. Nas Jam Sessions, os músicos costumavam encorajar outros a "apimentar" mais as músicas, dizendo: "Now, put some stank (stink/funk) on it!" (algo como "coloquem mais Funk nisso!").

 

 

Os derivados de Funk incluem o Funk Psicodélico de Sly Stone e Parliament-Funkadelic; o Avant-Funk de grupos como Talking Heads e Pop Group; Boogie uma forma de Dance Music pós-disco; Electro, um híbrido de música eletrônica e Funk; Funk Metal (por exemplo, Living Colour, Faith No More); G-Funk, uma mistura de Gangsta Rap e Funk; Timba, uma forma de música Funk Cubana; e Funk Jam (por exemplo, Phish). Os samples de Funk e os Breakbeats foram utilizados extensivamente em gêneros, incluindo Hip Hop, e várias formas de Eletronic Dance Music, como House Music, Old-School Rave, Breakbeat e Drum and Bass. É também a principal influência do go-go, um subgênero associado ao FUNK. NÃO CONFUNDA FUNK COM FUNK CARIOCA (este não tem nada a ver com o verdadeiro FUNK).

CARACTERÍSTICAS

O Funk cria um "groove" intenso através do uso de riffs poderosos e linhas de baixo. Como as gravações da Motown, as canções de linhas de baixo do Funk eram usadas como o tema central das canções. Tocando o baixo mediante a técnica do slap, tocados com o polegar e outras notas altas tocadas com os outros dedos, permitindo assim que o baixista tenha um papel rítmico semelhante ao da bateria, o que se tornou um elemento central do Funk. Alguns dos solistas mais conhecidos e qualificados no Funk tinham uma influência significativa no Jazz. O trombonista Fred Wesley e o saxofonista Maceo Parker estão entre os músicos mais notáveis do Funk, tendo ambos tocados com músicos como James Brown, George Clinton e Prince. Algumas das bandas de Funk mais distintivas das décadas de 1960 e 1970 são Kool & The Gang, The Meters, Tower Of Power, Earth Wind & Fire, The Blackbyrds, The Ohio Players, The Brothers Johnson e Charles Wright & The Watts 103rd Street Rhythm Band.

Os acordes utilizados em canções do Funk tipicamente envolvem um modo dórico ou mixolídio, em oposição aos tons maiores ou menores usuais da música popular. O teor de melodia foi derivada a partir da mistura destes modos com a escala dos Blues. Na década de 1970, o Jazz fundido ao Funk veio para criar um novo subgênero, Jazz-Funk, que pode ser ouvida em gravações por Miles Davis e Herbie Hancock.

 

 

 

 

DÉCADA DE 1960

Somente com as inovações de James Brown em meados dos anos 60 é que o Funk passou a ser considerado um gênero distinto. Na tradição do Rhythm and Blues, estas bandas bem ensaiadas criaram um estilo instantaneamente reconhecível, repleto de vocais e coros de acompanhamento cativantes. Brown mudou a ênfase rítmica 2:4 do Soul tradicional para uma ênfase 1:3, anteriormente associada com a música dos brancos - porém com uma forte presença da seção de metais. Com isto, a batida 1:2 virou marca registada do Funk tradicional. A gravação de Brown feita em 1965 de seu sucesso "Papa's Got a Brand New Bag" normalmente é considerada como a que lançou o gênero FUNK, porém a canção "Out of Sight" lançada um ano antes, foi claramente modelo rítmico para "Papa's Got a Brand New Bag", contudo, para outros a canção "Cold Sweat" de 1967, composta por James Brown em parceria com o saxofonista Alfred "Pee Wee" Ellis, foi o primeiro exemplo de uma canção Funk legítima.

Muitos acreditam a criação do gênero ao baterista Chuck Connors, que assim como Earl Palmer, fora baterista de Little Richard. Após a saída temporária de Little Richard da música secular para se tornar um evangelista, alguns dos membros da banda de Richard se juntaram a James Brown e a sua banda Famous Flames, começando uma sequência de sucessos, a partir de 1958.

James Brown costumava chamar sua banda com o comando "On The One", alterando a ênfase/acento da percussão do backbeat de um-dois-três-quatro da Soul Music tradicional para o down-beat de um-dois-três-quatro, mas com uma guitarra rítmica sincopada (nas semínimas duas e quatro), com um balanço brutal repetitivo e desafiador. Essa batida um-três lançou a mudança no estilo musical de Brown, começando com seu hit de 1964, "Out of Sight", e seus hits de 1965, "Papa's Got a Brand New Bag" e "I Got You (I Feel Good)".

 

 

 

 

 

 

 

O estilo de Funk de James Brown era baseado em partes interligadas e contrapontes: linhas de baixo sincopadas, padrões de bateria com 16 batidas e riffs de guitarra sincopados. Os principais ostinatos de guitarra de "Ain't It Funky" (final dos anos 60) são um exemplo do refinamento de Brown do Funk de New Orleans - um riff irresistivelmente dançante, despojado de sua essência rítmica. Em "Ain't It Funky", a estrutura tonal é barebones. As inovações de Brown fizeram com que ele e sua banda se tornassem o ato seminal de Funk; eles também colocaram o estilo do Funk mais a frente com lançamentos como "Cold Sweat" (1967), "Mother Popcorn (1969) e "Get Up Sex Machine (1970), descartando até o Blues de doze compassos que apareceu em sua música anterior. Em vez disso, a música de Brown foi revestida com "vocais cativantes e hinos" baseados em "vamps extensos", nos quais ele também usava sua voz como "um instrumento percussivo com grunhidos rítmicos frequentes e com padrões de seção rítmicos (assemelhando-se a polirritmos da África Ocidental) - uma tradição evidente em canções e cânticos de trabalho afro-americanos. Ao longo de sua carreira, os vocais frenéticos de Brown, frequentemente pontuados por gritos e grunhidos, canalizaram o "ambiente estático da igreja negra" em um contexto secular.

Em meados da década de 1960, o grupo Sly And Family Stone promoveu uma mistura de Soul, Rock Psicodélico e Funk. A banda The Isley Brothers com o então desconhecido Jimi Hendrix, havia feito uma fusão de Rock e Soul na canção "Testify" (1964).

 

 

 

 

 

 

Depois de 1965, o líder e arranjador de James foi Alfred "Pee Wee" Ellis. Ellis credita a adoção das técnicas de bateria de Nova Orleans por Clyde Stubblefield, como base do Funk moderno: "Se, em um estúdio, você dissesse 'toque funk', isso poderia implicar quase tudo. Mas, 'me dê uma batida de Nova Orleans' - você conseguiu exatamente o que você queria. E Clyde Stubblefield era apenas o epítome dessa bateria Funk. Stewart afirma que a sensação popular foi passada de "Nova Orleans - através da música de James Brown, para a música popular da década de 1970". Com relação aos vários motivos do Funk, Stewart afirma que esse modelo "é diferente de uma linha do tempo (como clave e tresillo), pois não é um padrão exato, mas mais um princípio de organização frouxo".

Outros grupos musicais seguiram os ritmos e o estilo vocal desenvolvidos por James Brown e sua banda, e o estilo Funk começou a crescer. Dyke and The Blazers, com sede em Phoenix, Arizona, lançou "Funky Broadway" em 1967, talvez o primeiro disco de Soul Music que tivesse a palavra "Funky" no título. Em 1969, Jimmy McGriff lançou Electric Funk, apresentando seu órgão distinto sobre uma seção de sopros em chamas. Enquanto isso, na Costa Oeste, Charles Wright & Watts 103rd Street Rhythm Band lançavam faixas de Funk começando com seu primeiro álbum em 1967, culminando no clássico single "Express Yourself" em 1971. Também na região da Costa Oeste, mais especificamente Oakland.

DÉCADA DE 1970

Na Califórnia, surgiu a banda Tower of Power (TOP), formada em 1968. Seu álbum de estreia "East Bay Grease", lançado em 1970, é considerado um marco importante no FUNK. Ao longo da década de 1970, o TOP teve muitos sucessos, e a banda ajudou a fazer do FUNK um gênero de sucesso, com um público mais amplo.

Nos anos 70, influenciado por Jimi Hendrix e Sly and Family Stone, um novo grupo de músicos começou a desenvolver ainda mais a abordagem do "Funk Rock". As inovações foram feitas com destaque por George Clinton, com suas bandas Parliament e, posteriormente, Funkadelic, juntos desenvolveram um tipo de Funk mais pesado, influenciado pelo Jazz e pelo Rock Psicodélico. As duas bandas tinham músicos em comum, o que as tornou conhecidas como Parliament-Funkadelic. O surgimento do Parliament-Funkadelic deu origem ao chamado P-Funk, que se referia tanto à banda quanto ao subgênero que desenvolveu.

O movimento Funk era inicialmente desconhecido para o público branco, ele finalmente consegue espaço, especialmente graças a Música Disco, na segunda metade da década de 1970.

Outros grupos de Funk surgiram nos anos 70: Mandrill, B.T. Express, Average White Band, The Main Ingredient, The Commodores, Earth Wind & Fire, War, Lakeside, Brass Construction, KC & The Sunshine Band, Kool & The Gang, Chic, Cameo, Fatback, The Gap Band, Instant Funk, The Brothers Johnson, Ohio Players, Wild Cherry, Skyy e, músicos/cantores como: Jimmy "Bo" Horne, Rick James, Chaka Khan, Tom Browne, Kurtis Blow (um dos precursores do Rap) e os popstars Michael Jackson e Prince, esse último formou o The Time, originalmente concebido como um ato de abertura para ele e baseado em seu "som de Minneapolis", mistura híbrida de Funk, R&B, Rock, Pop e New Wave.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A música Disco deve muito ao Funk. Muitas das primeiras canções e artistas de Disco vieram diretamente de origens orientadas para o Funk. Alguns sucessos da música Disco, como todos os sucessos de Barry White, "Kung Fu Fighting" de Biddu e Carl Douglas, "Love To Love You Baby" de Donna Summer, "Love Hangover" de Diana Ross, "Your Boogie Man" de KC & The Sunshine Band, "I'm Every Woman" de Chaka Khan (também conhecida como a Rainha do Funk) e "Le Freak" do Chic (veja a matéria de como surgiu essa música) incluem visivelmente riffs e ritmos derivados do Funk. Em 1976, Rose Royce alcançou o primeiro lugar com um disco puramente Funk-Dance, "Car Wash". Mesmo com a chegada da Disco, o Funk se tornou cada vez mais popular no início dos anos 80.

A música Disco dividia opiniões, enquanto James Brown se intitulou o "The Original Disco Man" no disco homônimo de 1979, no Brasil, Tim Maia gravou o álbum Tim Maia Disco Club (1978), com a participação da Banda Black Rio e produção de Lincoln Olivetti, George Clinton compôs "(Not Just) Knee Deep" (1979), um manifesto contra o estilo.

O Funk foi também influenciado para a África, e se fundiu com canto e ritmos africanos para formar o Afrobeat. O músico nigeriano Fela Kuti, que foi fortemente influenciado pela música de James Brown, é considerado o criador do estilo.

DÉCADA DE 1980 (SYNTH-FUNK)

Na década de 1980, em grande parte como uma reação contra o que foi visto como o excesso da música Disco, muitos dos elementos principais que formam a base da fórmula P-Funk começou a ser usurpado por máquinas eletrônicas e sintetizadores. Naipes de metais foram substituídos por teclados sintetizadores, e os metais que permaneceram receberam linhas simplificadas, e poucos solos. Os teclados clássicos do Funk, como o Órgão Hammond B3, o Clavinete Hohner/ou o Piano Fender Rhodes começaram a ser substituídos pelos novos sintetizadores digitais como o Yamaha DX7. Caixas de ritmos como a Roland TR-808 começaram a substituir os "beteiristas Funk" do passado, e o estilo slap e pop de tocar baixo eram muitas vezes substituídos por linhas de baixo do sintetizador. As letras das canções do Funk começaram a mudar a partir de duplos sentidos sugestivos para o conteúdo mais gráfico e sexualmente explícito.

Nessa época, surgiram também algumas derivações do Funk como o Electro que fazia grande uso de samplers e sintetizadores. Tais ritmos se tornaram combustível para os movimentos Break e Hip Hop.

Rick James foi o primeiro músico de Funk da década de 1980 a assumir o manto de Funk dominado pelo P-Funk na década de 1970. Seu álbum de 1981, Street Songs, com os singles "Give It To Me Baby" e "Super Freak", fez com que James se tornasse uma estrela e abriu o caminho para a futura direção da explicitação no Funk.

Semelhante ao Prince, outras bandas surgiram durante a era do P-Funk e começaram a incorporar sexualidade desinibida, temas orientados para a dança, sintetizadores e outras tecnologias eletrônicas para continuar a criar hits de Funk. Entre eles, Cameo, Zapp, Gap Band, Bar-Kays e Dazz Band, que encontraram seus maiores sucessos no início dos anos 80. Na segunda metade dos anos 80, o Puro Funk havia perdido seu impacto comercial, no entanto, artistas pop de Michael Jackson a Duran Duran costumavam usar batidas de Funk.

 

 

 

 

 

 

 

 

O Rap e o Hip Hop, porém, começaram a se espalhar, com bandas como Sugarhill Gang e Soulsonic Force (em parceria com Afrika Bambaataa). A partir do final dos anos 1980, com a disseminação dos samplers, partes de antigos sucessos de Funk (principalmente dos vocais de James Brown, conhecidos como Woo! Yeah" e a bateria de seu single Funky Drummer, executada por Clyde Stubblefield) começaram a ser copiados para outras músicas pelo novo fenômeno das pistas de dança, a House Music. Outra canção copiada foi "Amen, Brother" da banda The Winstons, o solo copiado passou a ser conhecido como Amen Break.

Os anos 80 viram também surgir novos artistas fazendo as fusões Funk Rock, uma mistura entre guitarras distorcidas de Rock ou Heavy-Metal e a batida do Funk, em grupos como Red Hot Chilli Peppers (Rock) e Primus (Heavy Metal), a banda Red Hot Chilli Peppers inclusive teve o segundo álbum produzido por George Clinton.

DÉCADA DE 1990 ATÉ O PRESENTE

Enquanto o Funk foi praticamente expulso do rádio pelo elegante Hip Hop comercial, R&B Contemporâneo e New Jack Swing, sua influência continuou a se espalhar. Artistas como Steve Arrington e Cameo ainda receberam grandes apresentações e tiveram muitos seguidores globais.

Na década de 1990, artistas surgem do movimento Acid Jazz que moldaram bandas como Brand New Heavies, Incognito, Galliano, Omar e Jamiroquai, que se inspiraram em elementos importantes do Funk. No entanto, eles nunca chegaram perto de alcançar o sucesso comercial do Funk em seu auge, com a exceção de Jamiroquai, cujo álbum "Travelling Without Moving" vendeu cerca de 11,5 milhões de cópias.

Desde meados da década de 1990 emerge a cena Nu-Funk, centrada na cena dos colecionadores de "Deep Funk", produzindo um novo material influenciado pelo som de raridades do Funk em 45 RPM. Os selos incluem Desco, Soul Fire, Daptone, Timmion, Napolitano, Bananarama, Kay-Dee e Tramp. Essas etiquetas geralmente são lançadas em discos de 45 RPM. Embora se especializa gravações raras de Funk para DJs, houve alguma transição para a indústria musical mainstream, como a aparição de Sharon Jones em 2005 no programa Late Night com Conan O'Brien.


Keep The Funk Music Alive

James Brown.jpg
Chaka Khan.jpg
Kool & The Gang.jpg
James Brown - Papa's Got A Brand New Bag (1965).jpg
Sly And The Family Stone.jpg
Mandrill.jpg
Bar-Kays.jpg

Listen to BOOgieRadio anytime, anywhere.