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História do Soul

Soul Music ou apenas Soul é um gênero musical popular que se originou na comunidade afro-americana dos Estados Unidos nos anos 1950 e no início dos anos 1960. Combina elementos da Música Afro-Americana, Rhythm and Blues e Jazz. A Soul Music tornou-se popular para dançar e ouvir nos Estados Unidos, onde gravadoras como Motown, Atlantic e Stax foram influentes durante o Movimento dos Direitos Civis. A Soul Music também se tornou popular em todo o mundo, influenciado diretamente o Rock e a música da África.

Durante a mesma época, o termo Soul já era usado nos Estados Unidos como um adjetivo em referência ao afro-americano, como em "soul food". Esse uso apareceu justamente numa época de vários movimentos sociais, tanto com a revolução dos jovens, como os movimentos antiguerra e antirracistas. Por consequência, a "Música Soul" nada mais era que uma referência à música negra, independentemente de gênero.

Durante a década de 1960, surgiu até o programa de televisão nos Estados Unidos, o "Soul Train", que apresentava os sucessos da música negra dos Estados Unidos, independentemente do gênero do sucesso musical. Ainda no Rhythm and Blues, a popular dupla Sam & Dave escreveu um sucesso que ressurgiu mais tarde no filme Blues Brothers, no qual interpretam a canção "Soul Man". Sua letra cita "(...) eu sou um homem negro (...)".

Outras características do Soul são uma chamada e resposta entre o vocalista principal e o refrâo e um som vocal especialmente tenso. O estilo também usa ocasionalmente adições improvisadas, rodopios e sons auxiliares. A Música Soul refletia a identidade afro-americana e enfatizada a importância de uma cultura afro-americana. A consciência afro-americana recém descoberta levou a novos estilos de música, que demonstravam o orgulho de ser negro.

A Soul Music dominou as paradas de R&B dos Estados Unidos na década de 1960, e muitas gravações passaram para as paradas Pop nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e em outros lugares. Em 1968, o gênero Soul Music começou a se fragmentar. Alguns artistas de Soul desenvolveram o Funk, enquanto outros cantores e grupos desenvolveram variedades mais escuras, mais sofisticadas e, em alguns casos, mais politicamente conscientes. No início da década de 70, a música Soul havia sido influenciada pelo Rock Psicodélico e outros gêneros, levando ao Soul Psicodélico. Os Estados Unidos assistiram ao desenvolvimento do Neo Soul por volta de 1994. Existem também vários outros subgêneros e ramificações da Soul Music.

Os principais subgêneros do Soul incluem o estilo Detroit (Motown), um estilo mais Pop e rítmico; Deep Soul e Southern Soul, estilos de Soul energéticos, combinando R&B com sons de música Gospel do Soul; Soul de Menphis, um estilo brilhante e sensual; New Orleans Soul, que saiu do estilo Rhythm and Blues; Soul de Chicago, um som mais leve influenciado pelo Gospel; Soul da Filadélfia, um som orquestral exuberante com vocais inspirados em Doo-Wop; Soul Psicodélico, uma mistura de Rock Psicodélico e Soul Music; bem como categorias como Blue-Eyed-Soul, que é a Soul Music executada por artistas brancos; Soul Britânico; e Northern Soul, música Soul rara tocada por Djs em boates no norte da Inglaterra.

CARACTERÍSTICAS DO SOUL

A apresentação da Música Soul é emotiva; a melodia é bem misteriosa, ornamentada e com improvisações, rodopios corporais do(a) cantor(a) e efeitos sonoro dos instrumentos. Os ritmos pegam facilmente, acentuados com o bater de palmas e os movimentos plásticos da coreografia são detalhes importantes. Outras características estilísticas importantes são as perguntas e respostas entre o cantor solista e o grupo coral, no estilo responsorial, e uma interpretação dramática do vocalista principal. A Música Soul normalmente também apresenta cantores acompanhados por uma banda tradicionalmente composta de uma seção rítmica e de metais.

De acordo com o AllMusic, a "Soul Music" foi o resultado da urbanização e comercialização do Rhythm and Blues nos anos 60. A própria frase "Soul Music", referente à Música Gospel com letras seculares, foi atestada pela primeira vez em 1961. O termo "Soul" na linguagem afro-americana tem conotações de orgulho e cultura afro-americanos. Grupos Gospel nas décadas de 40 e 50 ocasionalmente usavam o termo com parte de seus nomes. O estilo Jazz originário do Gospel ficou conhecido como Soul Jazz. Quando cantores e arranjadores começaram a usar técnicas de Gospel e Soul Jazz na música popular afro-americana durante a década de 1960, a Soul Music funcionou gradualmente como um termo genérico para a música popular afro-americana na época.

Inovadores importantes cujas gravações nos anos 50 contribuíram para o surgimento da Soul Music incluem Clyde McPhatter, Hank Ballard e Etta James. Ray Charles é frequentemente citado como popularizando o gênero Soul Music com sua série de hits, começando com "I Got A Woman", de 1954. O cantor Bobby Womack disse: "Ray era o gênio. Ele transformou o mundo em Soul Music." Charles foi aberto ao reconhecer a influência do vocalista do Pilgrim Travellers, Jesse Whitaker em seu estilo de cantar.

Little Richard, inspirou Otis Redding e James Brown, que foram igualmente influentes. Brown foi apelidado de "Godfather Of Soul" (Padrinho da Soul Music), e Richard se proclamou "King Of Rockin' and Rollin', Rhythm and Blues Soulin' ", porque sua música incorporava elementos dos três, e desde que ele inspirou artistas em todos os três gêneros.

Sam Cooke e Jackie Wilson também são frequentemente reconhecidos como antepassados da Soul Music. Cooke tornou-se popular como vocalista do grupo Gospel The Soul Stirrers, antes de se mudar para a música secular. Sua gravação de "You Send Me" em 1957 lançou uma bem sucedida carreira na Música Pop. Além disso, sua gravação de 1962 de "Bring It On Home To Me" foi descrita como "talvez o primeiro registro a definir a experiência da Soul Music". Jackie Wilson, contemporâneo de Cooke e James Brown, também obteve sucesso no crossover, especialmente com seu sucesso de 1957, "Reet Petite". Ele foi particularmente influente por sua entrega dramática e performances.

DÉCADA DE 1960

O escritor Peter Guralnick está entre os que identificaram Solomon Burke como uma figura-chave no surgimento da Soul Music e a Atlantic Records como a principal gravadora. As canções de Burke no início dos anos 60, incluindo "Cry To Me", "Just Out Of Reach" e "Down In The Valley" são consideradas clássicos do gênero.

Ben E. King também obteve sucesso em 1961 com "Stand By Me", uma canção diretamente baseada em um hino Gospel. Em meados da década de 1960, os sucessos iniciais de Burke, King e outros foram superados por novos cantores de Soul, incluindo artistas da Stax como Otis Redding e Wilson Pickett, que gravaram principalmente em Memphis, Tennessee, e Muscle Shoals, Alabama.  De acordo com Jon Laudau:

"Entre 1962 e 1964, Redding gravou uma série de baladas Soul, caracterizada por letras descaradamente sentimentais, geralmente implorando perdão ou pedindo que uma namorada voltasse para casa. Ele logo ficou conhecido como "Mr. Pitiful" (Sr. Lamentável) e ganhou uma reputação como o principal artista de baladas de Soul".

A cantora de Soul mais importante a surgir foi Aretha Franklin, originalmente uma cantora Gospel que começou a fazer gravações seculares em 1960, mas cuja carreira foi posteriormente revitalizada por suas gravações para Atlantic. Suas gravações de 1967, como "I Never Loved A Man (The Way I Love You)", "Respect" (escrita e originalmente gravada por Otis Redding) e "Do Right Woman, Do Right Man" (escrito por Chips Moman e Dan Penn), foram produções significativas e comercialmente bem-sucedidas.

A Soul Music dominou as paradas musicais afro-americanas dos Estados Unidos na década de 1960, e muitas gravações cruzaram as paradas pop nos Estados Unidos. Otis Redding foi um enorme sucesso no Monterey Pop Festival em 1967. O gênero também se tornou muito popular no Reino Unido, onde muitos artistas principais fizeram turnês no final dos anos 1960. "Soul" se tornou um termo genérico para uma variedade cada vez maior de estilos musicais baseados em R&B - desde artistas dançantes e Pop da Motown Records em Detroit, como The Temptations, Marvin Gaye e Stevie Wonder, até artistas de "Deep Soul" como Percy Sledge e James Carr. Diferente regiões e cidades dos Estados Unidos, incluindo Nova York, Detroit, Chicago, Memphis, Nova Orleans, Filadélfia e Muscle Shoals, Alabama (a casa dos estúdios FAME e Muscle Shoals Sound Studios) tornaram-se conhecidas por diferentes subgêneros da música e estilos de gravação.

Artistas do chamado "Blue-Eyed-Soul" ("Soul Branco", músicas brancos que tocavam para plateias brancas) tais como The Righteous Brothers alcançaram um grande sucesso em curto prazo. Da mesma forma que o "Blue-Eyed-Soul", surgiu nesta época um grande número de variedades regionais de Soul.

Em 1968, enquanto no auge da popularidade, a Soul Music começou a se fragmentar em subgêneros diferentes, artistas como James Brown e Sly and The Family Stone evoluíram para o Funk, enquanto outros cantores como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Curtis Mayfield e Al Green desenvolveram variedades mais escuras, mais sofisticadas e, em alguns casos, politicamente mais conscientes do gênero. No entanto, a Soul Music continuou a evoluir, informando a maioria das formas subsequentes de R&B a partir da década de 1970, com vários músicos continuando a se apresentar no estilo Soul tradicional.

DÉCADA DE 1970

Exemplos posteriores de Soul Music incluem gravações de The Staple Singers (como "I'll Take You There") e gravações de Al Green, de 1970, feitas na Royal Recording de Willie Mitchell, em Memphis. A Hi Records de Mitchell continuou na tradição Stax da década anterior, lançando uma série de hist de Green, Ann Peebles, Otis Clay, O.V. Wright e Syl Johnson. Bobby Womack, que gravou com Chips Moman no final da década de 60, continuou a produzir gravações de Soul nas décadas de 1970 e 1980.

Em Detroit, o produtor Dan Davis trabalhou com artistas da Stax, como Johnnie Taylor e The Dramatics. No início dos anos 70, as gravações do The Detroit Emeralds, como "Do Me Right", são um elo entre o Soul e o estilo Disco posterior. Artistas da Motown Records, como Marvin Gaye, Michael Jackson, Stevie Wonder e Smokey Robinson, contribuíram para a evolução da Soul Music, embora suas gravações fossem consideradas mais no estilo da música Pop do que as de Redding, Franklin e Carr. Embora estilisticamente diferente da Soul Music clássica, as gravações de artistas de Chicago são frequentemente consideradas parte do gênero.

No início dos anos 70, a Soul Music havia sido influenciada pelo Rock Psicodélico e outros gêneros. O fermento social e político da época inspirou artistas como Gaye e Curtis Mayfield a lançar álbuns manifestos com comentários sociais contundentes. Artistas como James Brown levaram a Soul Music ao Funk, tipificado por bandas da década de 1970 como Parliament-Funkadelic e The Meters. Grupos mais versáteis como War, The Commdores e Earth, Wind & Fire tornaram-se populares nessa época. Durante a década de 1970, algumas artistas de olhos azuis e comerciais, como Hall & Oates, da Filadélfia e Tower Of Power, de Oakland, alcançaram o sucesso principal, assim como uma nova geração de harmonia nas esquinas ou grupos de "City-Soul", como The Delfonics e os Unifics da Universidade Howard, instituição historicamente negra.

O programa de televisão Soul Train, apresentada por Don Cornelius, nativo de Chicago, estreou em 1971. O programa proporcionou uma saída para a Soul Music por várias décadas, gerando também uma franquia que viu a criação de uma gravadora (Soul Train Records) que distribuiu canções de The Whispers, Carrie Lucas e um grupo emergente conhecido como Shalamar. Numerosas disputas levaram Cornelius a sair da gravadora para seu booker de talentos, Dick Griffey, que transformou a gravadora em Solar Records, uma gravadora de Soul Music proeminente ao longo dos anos 80. A série de TV continuou no ar até 2006, embora outros gêneros musicais predominantemente afro-americanos, como o Hip Hop, tenham começado a ofuscar a Soul Music no programa a partir da década de 1980.

Como os músicos de Disco e Funk tiveram hits no final da década de 1970 e no início da década de 1980, o Soul foi na direção do Quiet Storm. Com seus ritmos relaxados e melodias suaves, a Soul Quiet Storm teve influências do Fusion e do Adult Contemporary. Algumas bandas de Funk, como Earth, Wind & Fire, The Commodores e Con Funk Shun, terial algumas faixas Quiet Storm em seus álbuns. Entre os artistas de maior sucesso nessa época estão Smokey Robinson, Jeffry Osbourne, Peabo Bryson, Chaka Khan e Larry Graham.

Com a "decadência" da Disco em fins dos anos 70, super estrelas do Soul, como Prince (Purple Rain) e Michael Jackson (Thriller) decolaram. Com vocais quentes e sensuais e batidas dançantes, estes artistas dominaram as paradas durante os anos 1980. Cantoras de Soul tais como Whitney Houston, Janet Jackson e Tina Turner também ganharam grande popularidade durante a última metade da década.

Após o declínio do Disco e do Funk no início dos anos 80, a Soul Music foi influenciada pela Electro Music. Tornou-se menos cru e mais liso, resultando em um estilo conhecido como R&B Contemporâneo, que soou muito diferente do estilo original de Rhythm and Blues.

No ínicio dos anos 1990, enquanto o Rock Alternativo, o Heavy Metal de grupos como Metallica, e o Gangsta Rap dominavam as paradas, alguns grupos começaram a fundir o chamado Hip Hop ao Soul. Michael Jackson e o grupo Boyz II Men foram os mais populares dentre os pioneiros desta fusão. Os Estados Unidos assistiram ao desenvolvimento do Neo Soul por volta de 1994. O Neo Soul, surgiu e continuou esta mistura do Hip Hop ao Soul, conduzido por nomes como Christina Aguilera, Mariah Carey, Mary J. Blige, Lauryn Hill e Erykah Badu.

O suporte de marketing das grandes gravadoras para gêneros de Soul esfriou nos anos 2000 ao re-foco da indústria Hip Hop.